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Um belo coração |
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Um jovem estava no centro da cidade, dizendo ter o coração mais bonito da região. Uma multidão o cercou e todos admiraram o seu coração. Não havia marca ou qualquer defeito! Todos concordaram que aquele era o coração mais belo. E o jovem ficou muito orgulhoso... De repente, um velho apareceu diante da multidão e disse: - Por que o coração do jovem não é tão bonito quanto o meu? Todos olharam para o coração do velho, que estava batendo com vigor, mas tinha muitas cicatrizes. Havia locais em que pedaços tinham sido removidos e outros tinham sido colocados no lugar mas estes não se encaixavam direito... Em alguns pontos faltavam até pedaços! O jovem olhou bem e disse: - O senhor deve estar brincando. Compare: o meu coração está perfeito, intacto e o seu é uma mistura de cicatrizes e buracos! - Sim, disse o velho. Olhando, o seu parece perfeito, mas eu não trocaria o meu pelo seu. Veja, cada cicatriz representa uma pessoa para qual dei o meu amor. Tirei um pedaço do meu coração e dei para cada uma dessas pessoas. Muitas delas deram-me também um pedaço do próprio coração para que eu colocasse no meu, mas, como os pedaços não eram exatamente iguais, ficou assim... Mas elas me fazem lembrar do amor que compartilhamos. Algumas vezes, dei pedaços do meu coração a quem não me retribuiu. Por isso, há buracos. Eles doem. Ficam abertos, lembrando-me do amor que senti por elas... Você entende agora o que é a verdadeira beleza? O jovem ficou calado e lágrimas escorreram pelo seu rosto. Ele se aproximou, tirou um pedaço de seu perfeito e jovem coração e ofereceu ao velho que retribuiu o gesto. O coração do jovem, então, já não era mais perfeito como antes, mas se tornara mais belo que nunca! Os dois se abraçaram e saíram caminhando lado a lado. Como deve ser triste passar a vida com o coração intacto. | |
Escrito por lUlY às 23h21
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O AMOR É A MELHOR HERANÇA, CUIDE DAS CRIANÇAS!!! (campanha RBS )
Escrito por lUlY às 23h11
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Filtro solar
Amigos...
Usem filtro solar
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: Usem filtro solar. Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro solar foram cientificamente provados.
Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência e eis aqui alguns conselhos:
Desfrute do poder da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder da beleza de sua juventude quando já estiver muito velho.
Mas, acredite em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você e que eram realmente fabulosas.
Você não é tão gordo quanto você imagina. Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 da tarde em alguma terça-feira ociosa.
Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora. Cante. Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Relaxe. Não perca tempo com a inveja. Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde. A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você. Lembre-se dos elogios que recebe e esqueça os insultos (Se conseguir fazer isso, me diga como).
Guarde suas cartas de amor e jogue fora seus velhos extratos bancários. Estique-se. Não tenha sentimento de culpa se não souber muito bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio e seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais. Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos 40, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chances de dar certo, como também tem as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que as pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento. Dance, mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar. Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia. Saiba entender seus pais. Você nunca sabe quando vai sentir a falta deles.
Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente não deixarão você na mão.
Entenda que amigos vêm e vão, mas há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.
More em uma grande cidade uma vez na vida, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa dura. More em uma cidade do interior, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje. Aceite certas verdades eternas: Os preços vão subir, políticos são todos mulherengos e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que, quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobre de alma e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite as pessoas mais velhas. Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha uma aposentadoria. Talvez tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou o outro podem desaparecer. Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco. Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias, e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale. Mas, acredite em mim quando eu falo do filtro solar.
Escrito por lUlY às 01h00
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Eu sei... mas não devia!
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ver outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora, a tomar o café correndo porque está atrasado, a ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo de viajem, a comer sanduíche porque não dá para almoçar, a sair do trabalho porque já é noite, a cochilar no ônibus porque está cansado, a deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e ler sobre guerra. E aceita a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos, e que haja número para os mortos. E, aceitando os números, aceita e não acredita nas negociações de paz. Não aceitando as negociações de paz, aceita ler todos os dias da guerra, dos números e da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo que se deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comercias. A ir ao cinema e engolir publicamente. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro, à luz artificial de ligeiro tremor, ao choque que os olhos levam à luz natural, às bactérias da água potável, à contaminação de água do mar, à morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ouvir o galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila, torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e suja o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. Se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem o sono atrasado.
A gente se acostuma a não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma, para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto acostumar. Se perde em si mesma.
A gente se acostuma a ser acostumado...
Marina Colassanti
Escrito por lUlY às 00h59
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Escrito por lUlY às 11h32
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